Daniel Viero - Neurônios em ação

23 outubro 2005

Coração na ponta da chuteira

Eu sou um apaixonado por futebol. Sou gremista fanático, de carteirinha, daqueles que vai todo jogo no estádio. Gosto muito também de assistir as partidas na tevê e de escutar os intermináveis debates esportivos no rádio. Porém, o que eu mais gosto mesmo é de jogar.

Neste final de semana, eu e meus colegas de trabalho, da iProcess, fomos jogar um torneio entre as empresas da área de informática. Como nunca jogamos juntos e tivemos um certo trabalho para conseguir gente suficiente para montar o time, nossas expectativas não eram das maiores. Jogaríamos pelo menos três partidas na primeira fase, e se ganhássemos uma já estaria de bom tamanho para uma primeira participação. Resolvemos jogar com boas doses de vontade e um pouco de inteligência, para compensar a falta de gente, o desentrosamento e ausência de maior habilidade. Tudo isso e mais um pouquinho de sorte acabaram dando mais do que certo. Ganhamos os três jogos por um gol de diferença, no sufoco. Mas, até mesmo para surpresa nossa, ganhamos as três e passamos para a segunda fase!!!

No jogo seguinte, que era eliminatório, poderíamos até empatar, mas o jogo era contra um adversário bem melhor. Fizemos nossa melhor partida, mas em uma bobeira de um dos nossos na saída de bola, acabamos deixando o adversário fazer 1 a 0. Corremos atrás, demos pressão, mas não conseguimos reverter o resultado. Tudo bem, a missão já estava cumprida, mas ficou aquela sensação chata de que, se não fosse um descuido, poderíamos ter nos classificado.

Neste domingo, eu estava assistindo ao jogo do Real Madrid na tevê. O time mais badalado do mundo não jogou nada e perdeu em casa, tomando um olé. Lá pelo segundo tempo, um dos zagueiros do Real Madrid, que ganha dezenas de milhares de euros por mês, tentou sair jogando a dribles e perdeu a bola, dando um contra-ataque que quase resultou em mais um gol do adversário. Exatamente igual à jogada que nos tirou do campeonato. Depois, um dos atacantes do Real dominou a bola dentro da área, pronto para fazer o gol de empate, e deu um balão, longe, muito longe do gol.

Nessas horas eu penso: como é que um profissional de alto gabarito pode cometer os mesmos erros que nós, peladeiros, não perdoamos em nossos jogos?!? Ao mesmo tempo percebo que, puxa, se um profissional faz esse tipo de coisa, por que nós, reles atletas de final de semana, temos que ficar nos cobrando quando isso acontece?

A minha conclusão disso tudo é que a grande diferença entre boa parte dos profissionais e nós, jogadores de pelada, é o preparo físico. Na verdade, no fundo, a maioria deles é tão (ou mais) pereba do que nós!

16 outubro 2005

A propaganda do referendo

No próximo final de semana teremos o tão falado referendo sobre a comercialização de armas de fogo. No começo, minha índole 100% pacifista automaticamente determinou: “SIM”! Quem tem arma é ladrão ou polícia, população não tem que ter armas e pronto. Mas aos poucos fui refletindo mais sobre outros pontos de vista e percebi que não é bem assim. Entendi melhor o próprio objetivo do referendo. Hoje tenho minha posição praticamente firmada na opção “NÃO”.

Justamente por não estar totalmente decidido, dei uma atenção especial à propaganda eleitoral do referendo, para procurar os argumentos que iriam orientar minha decisão definitiva. Infelizmente não os encontrei até agora. Não na propaganda. O nível de argumentação da campanha, tanto do “Sim” quanto do “Não”, beira o ridículo. Os argumentos de ambas as partes têm sido geralmente apelativos e desconexos do objetivo a que a votação se propõe.

O “Não” diz, por exemplo, que se for aprovada a proibição da venda de armas e um ladrão armado invadir minha casa, não posso pedir ajuda, pois nenhum dos meus vizinhos terá armas para me ajudar. Por favor, vamos combinar que a última coisa que eu iria querer se eu tivesse um ladrão na minha casa seria um vizinho armado por perto. Já o “Sim”, que tinha começado a campanha em melhor nível, começou a apelar nos últimos dias, chegando a dizer que só os ricos têm dinheiro para comprar armas, que os pobres é que morrem, e por isso ninguém deve ter armas. Se você não viu isso, acredite, é verdade. Absurdo.

Outra coisa para a qual a propaganda eleitoral do referendo não colabora é em esclarecer o objetivo do referendo. O que está em disputa é o direito de se comercializar (comprar e vender) armas de fogo. O direito de ter (registrar e portar) armas de fogo já está definido na lei (Estatuto do Desarmamento), que já está em vigor, e não vai mudar com o resultado do referendo. As minhas principais dúvidas ainda não foram esclarecidas: se for proibida a venda de armas, mas pela lei uma pessoa obtiver o direito de ter uma, onde esta pessoa vai poder comprá-la? Terá que importar? Outra coisa: a nossa polícia, o nosso Exército, vão comprar armas de quem? Licitações internacionais?

No fim das contas, o que me parece é que os nossos legisladores, que teriam mais condições de levantar as reais intenções e conseqüências de cada opção, tiveram medo de tomar essa decisão e passaram a bola para o povo. Assim não poderemos reclamar depois...

15 outubro 2005

Hello World

Finalmente resolvi escrever meu blog. Acho que eu sempre quis ter um blog, mesmo antes de eles existirem.

Muita gente da área de tecnologia, como eu, tem usado os blogs como ferramenta profissional, como espaço para expor suas idéias sobre assuntos do meio tecnológico. Minha idéia com este blog não é essa.

Quem me conhece sabe que minha cabeça está sempre a mil. Uma das coisas que meu cérebro mais gosta é de armazenar novas informações. Sobre qualquer coisa. Com isso, acabo estando sempre cheio de idéias e opiniões, nem sempre muito realistas ou convictas, mas nas quais eu às vezes fico maquinando por muito tempo. Só que de nada adianta guardar isso só pra mim.

Um blog parece um "lugar" legal para escrever sobre essas idéias. É isso que mais me motiva. Logicamente, não vou deixar de falar sobre meus assuntos favoritos: esportes em geral (futebol e Grêmio em especial), viagens e informática. Mas pretendo também falar sobre política, sociedade, cultura, bobagens e outros assuntos atuais que forem surgindo. Espero que gostem. Abraços.