Daniel Viero - Neurônios em ação

16 outubro 2005

A propaganda do referendo

No próximo final de semana teremos o tão falado referendo sobre a comercialização de armas de fogo. No começo, minha índole 100% pacifista automaticamente determinou: “SIM”! Quem tem arma é ladrão ou polícia, população não tem que ter armas e pronto. Mas aos poucos fui refletindo mais sobre outros pontos de vista e percebi que não é bem assim. Entendi melhor o próprio objetivo do referendo. Hoje tenho minha posição praticamente firmada na opção “NÃO”.

Justamente por não estar totalmente decidido, dei uma atenção especial à propaganda eleitoral do referendo, para procurar os argumentos que iriam orientar minha decisão definitiva. Infelizmente não os encontrei até agora. Não na propaganda. O nível de argumentação da campanha, tanto do “Sim” quanto do “Não”, beira o ridículo. Os argumentos de ambas as partes têm sido geralmente apelativos e desconexos do objetivo a que a votação se propõe.

O “Não” diz, por exemplo, que se for aprovada a proibição da venda de armas e um ladrão armado invadir minha casa, não posso pedir ajuda, pois nenhum dos meus vizinhos terá armas para me ajudar. Por favor, vamos combinar que a última coisa que eu iria querer se eu tivesse um ladrão na minha casa seria um vizinho armado por perto. Já o “Sim”, que tinha começado a campanha em melhor nível, começou a apelar nos últimos dias, chegando a dizer que só os ricos têm dinheiro para comprar armas, que os pobres é que morrem, e por isso ninguém deve ter armas. Se você não viu isso, acredite, é verdade. Absurdo.

Outra coisa para a qual a propaganda eleitoral do referendo não colabora é em esclarecer o objetivo do referendo. O que está em disputa é o direito de se comercializar (comprar e vender) armas de fogo. O direito de ter (registrar e portar) armas de fogo já está definido na lei (Estatuto do Desarmamento), que já está em vigor, e não vai mudar com o resultado do referendo. As minhas principais dúvidas ainda não foram esclarecidas: se for proibida a venda de armas, mas pela lei uma pessoa obtiver o direito de ter uma, onde esta pessoa vai poder comprá-la? Terá que importar? Outra coisa: a nossa polícia, o nosso Exército, vão comprar armas de quem? Licitações internacionais?

No fim das contas, o que me parece é que os nossos legisladores, que teriam mais condições de levantar as reais intenções e conseqüências de cada opção, tiveram medo de tomar essa decisão e passaram a bola para o povo. Assim não poderemos reclamar depois...

5 Comentários:

  • Tchê teu comentário é absolutamente perfeito. Se eu tivesse que escrever alguma coisa seria exatamente o que tu escreveu.
    Apenas discordamos com relação ao voto. E minha resposta está em uma das tuas primeiras frases.
    "minha índole 100% pacifista automaticamente determinou: “SIM”! ".
    Pois é, estou em dúvida, não sei o que fazer, então vou fazer o que eu acho mais certo, e ele me diz que qualquer coisa que eu faça contra uma arma já ajuda.
    Abração.
    Chis

    Por Anonymous Anônimo, às 10:22  

  • Concordo. Disse tudo!
    Mas por enquanto eu também vou ficando com o SIM.

    Por Anonymous Anônimo, às 15:11  

  • eu nunca teria uma arma em casa nem algo assim, mas um dos motivos que eu voto "NÃO" é que eu não quero que ninguem tenha certeza de que eu não tenho uma :D
    e podemos pegar também alguns fatos historicos:
    em todos os paises onde foi proibida a venda de armas, a violencia e a crueldade dos assaltos e a quantidade de assaltos aumentou rapidamente
    tirando a velha paranoia, todos os grandes golpes de estado (alemanha, russia, china, ...) começaram com o desarmamento da população :D
    mas o argumento que garante o meu voto para o "NÃO" é o seguinte: como eu disse, provavelmente eu nunca vou ter uma arma em casa, mas eu tenho o direito de se eu quiser ter uma eu posso comprar, e não abro mão deste direito :D

    Por Blogger Urubatan, às 15:15  

  • A minha implicância com esse referendo é que na verdade a gente não está votando para definir se temos o direito de ter armas ou não. Isso já está definido. O que está em jogo é se armas podem ser vendidas ou não. Isso para mim é um paradoxo total. É como definir as regras sobre quem pode dirigir, mas proibir a venda de carros. A proibição obrigaria as pessoas que tivessem carteira de motorista a comprar carros importados, acabaria com a indústria automobilística nacional e obrigaria o governo também a comprar carros de outros países, quando precisasse. É incoerente. Eu penso em votar "não" pela incoerência da coisa...

    Por Blogger Daniel Viero, às 20:22  

  • Ae Dani! Lançando a polêmica...
    Eu estava comentando hoje mesmo com a Sílvia como está difícil decidir que opção escolher!

    Acredito que o uso de armas de fogo por "cidadãos de bem" às vezes acaba em tragédia! Nos estados em que a entrega voluntária das armas foi mais intenso, houve uma queda significativa de acidentes... incluindo ai até suicídios!
    Pensando assim eu voto SIM.

    Por outro lado... no Brasil existem muitas leis que já dificultam o acesso a uma arma de fogo. Como na verdade o comércio de armas não deixará de existir (mesmo com o sim) porque no estatuto as pessoas que tem direito a comprar armas e munição estarão classificadas (forças armadas, guardas municipais, pessoas autorizadas pela justiça, empresas de segurança, etc), acredito que o comércio negro de armas continuará e ficará pior.
    Como tudo no Brasil não haverá fiscalização e tudo continuará como está.
    Pensando assim eu voto NÃO!

    Acho que ficarei em dúvida até o momento de votar! Faz parte da alma humana... duvidar do certo e acreditar no improvável!

    Grande abraço!

    Por Anonymous Anônimo, às 23:03  

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