Daniel Viero - Neurônios em ação

10 dezembro 2007

Álvaro

Gente, que coisa... Fiquei praticamente um ano e meio sem escrever nada no meu blog. Que vergonha. Quem vê, pode até pensar que não tem acontecido nada de importante para eu escrever, mas é justamente o contrário. Neste último ano, tenho passado pelas sensações mais maravilhosas que podem existir. Acompanhei a gravidez da minha esposa e o nascimento do meu primeiro filho, o Álvaro, dia 26 de outubro. E estou perdidamente apaixonado por ele.

Como uma imagem fala mais do que mil palavras, estou colocando muitas fotos no álbum de fotos do Álvaro. Imagens que, para mim, não há palavras que possam descrever.

Juro que ainda volto a escrever no blog. Sobre o Álvaro, sobre mim, sobre qualquer coisa. Mas, por enquanto, minha prioridade é ficar babando mais um pouco em cima desta coisinha fofa. Abraços!

03 julho 2006

O circo desmoronou

Como todo brasileiro, eu achava que o Brasil ia mesmo ganhar esta Copa do Mundo. Anteontem perdemos para a França, de novo, e o sonho do hexa foi para o beleléu. Toda aquela magia anunciada não se confirmou, e o que vimos foi o passeio de um veterano Zidane que desfilou reinante como se tivesse uma coroa na cabeça e súditos a admirá-lo.

A sensação de frustração de todo mundo nem é tanto pela eliminação. Certamente o que mais deixou a todos perplexos foi a absoluta falta de sangue nas veias que a Seleção demonstrou, ao perder passivamente para um adversário que antes da Copa não contava com a confiança de ninguém. Nos comerciais de tevê, o script já está escrito. Na Copa do Mundo, cada cena precisa ser improvisada, com talento, mas principalmente com suor.

A Seleção Brasileira achou que a Copa do Mundo era um circo. Até é. Estamos vivendo naqueles dias de pão e circo, em que o povo esquece um pouco suas mazelas e se distrai. Mas um circo de verdade não vive apenas do encanto dos malabaristas e dos espetáculos de ilusionismo. É preciso também a coragem dos domadores de feras, dos engolidores de fogo, dos arremessadores de facas. Não havia nenhum domador, no dia que havia uma fera solta no outro lado...

16 março 2006

Ritmo acelerado

Olá pessoal,

Só para não dizer que nunca mais escrevi, resolvi postar algumas linhas.

Normalmente, o início de ano é uma época em que as coisas acontecem mais lentamente, que a correria do dia-a-dia fica um pouco mais leve. Quando o ano de fato começa (após o Carnaval) é que o ritmo se restabelece. Este ano para mim não teve esta saudável redução de ritmo no início do ano. Ao contrário, desde o final do ano passado cada dia que passa a quantidade e a importância das coisas a fazer no trabalho aumenta. Estamos procurando mais gente para dividir comigo e com meus colegas este aumento de demanda, mas, mesmo que se diga que está cheio de gente disponível no mercado, é bem difícil encontrar profissionais competentes e confiáveis por aí...

Estou escrevendo isso em parte para justificar a ausência de novos textos no blog. Eu tinha prometido para mim mesmo que iria escrever no mínimo a cada duas semanas, mas é preciso estar inspirado. E inspiração exige uma certa tranqüilidade, um pouco de ócio, como diria Domenico de Masi.

Não precisam ficar preocupados comigo não. Mesmo que pareça que eu estou precisando de férias, eu não as tirei neste verão por um motivo muito bom e que não me permite reclamar da situação atual. Eu troquei minhas férias de verão por férias em maio, quando será primavera na Europa. Eu e a Karla, minha esposa, vamos realizar um belo sonho, de viajar para lá de mochila nas costas, conhecer vários lugar e curtir totalmente sem stress.

Desde ontem, estamos com as passagens aéreas nas mãos. Está caindo a ficha de que vamos mesmo fazer isso. Muito legal. :-) Hoje fui renovar meu passaporte e todo dia planejamos mais um pouquinho da viagem: roteiro, passes de trem, hospedagem, atrações e tudo mais.

Em breve terei boas novidades para contar da viagem. Enquanto isso, vou voltar ao trabalho, afinal de contas tenho que zerar tudo até o dia da viagem! Abraços.

25 novembro 2005

Pôr-do-Sol

Há mais ou menos dois meses, eu e a Karla, minha esposa, fizemos um passeio pelo Ceará. Lá, fomos a Jericoacoara, considerada uma das praias mais bonitas do mundo. Antes de ir, li vários relatos que diziam que Jeri (apelido carinhoso daquele vilarejo à beira do mar) não tem apenas um clima maravilhoso e praias belíssimas; tem também o mais belo pôr-do-sol do mundo.

Jericoacoara, assim como boa parte do Ceará, tem uma peculiaridade com relação à maior parte do Brasil: possui mar a Oeste, o que faz com que o sol se ponha na água e torne o crepúsculo realmente maravilhoso. Eu pude ver com meus próprios olhos e posso dizer que realmente é muito bonito.

Porto Alegre, onde eu moro, é banhada pelo que nós, gaúchos, chamamos de "Rio Guaíba". Como aprendemos na escola por aqui, não é um rio, e sim um estuário, que é uma espécie de extensão da Lagoa dos Patos, um pedacinho a mais de lagoa que chega até a capital gaúcha. O Guaíba fica a Oeste de Porto Alegre, tendo na outra margem a cidade também chamada de Guaíba.

Hoje eu voltava do trabalho para casa, como sempre faço, pela Av. Beira-Rio, que margeia o Rio Guaíba, como o nome sugere. Eram quase 8 da noite quando eu passava por ali, e o sol estava prestes a se pôr. Nesse momento, contemplando a paisagem, me veio a lembrança do entardecer em Jeri. E nessa hora tive certeza de uma coisa que me passou pela cabeça enquanto assistia ao crepúsculo lá no mar do Ceará.

Não é por ser porto-alegrense e amar esta cidade, mas confirmei para mim mesmo que não é à toa o orgulho maior da minha cidade natal: o pôr-do-sol em Porto Alegre é mais bonito, muito mais do que em Jeri. E talvez do que qualquer outro. Não conheço todos, mas o pôr-do-sol de Porto Alegre é de tirar o chapéu. Não é apenas um reflexo na água, nem apenas um reflexo nas nuvens; é toda uma conjuntura de silhuetas de um parque à beira do rio, de uma cidade ao fundo, de embarcações repousando nas marolas, de combinações inimagináveis de cores no céu. A natureza de Porto Alegre nos oferece uma galeria de arte contínua. Que maravilha poder voltar pra casa olhando para uma pintura diferente a cada dia. Faz bem para a alma de qualquer um. E está logo ali, sem precisar atravessar o país.

23 outubro 2005

Coração na ponta da chuteira

Eu sou um apaixonado por futebol. Sou gremista fanático, de carteirinha, daqueles que vai todo jogo no estádio. Gosto muito também de assistir as partidas na tevê e de escutar os intermináveis debates esportivos no rádio. Porém, o que eu mais gosto mesmo é de jogar.

Neste final de semana, eu e meus colegas de trabalho, da iProcess, fomos jogar um torneio entre as empresas da área de informática. Como nunca jogamos juntos e tivemos um certo trabalho para conseguir gente suficiente para montar o time, nossas expectativas não eram das maiores. Jogaríamos pelo menos três partidas na primeira fase, e se ganhássemos uma já estaria de bom tamanho para uma primeira participação. Resolvemos jogar com boas doses de vontade e um pouco de inteligência, para compensar a falta de gente, o desentrosamento e ausência de maior habilidade. Tudo isso e mais um pouquinho de sorte acabaram dando mais do que certo. Ganhamos os três jogos por um gol de diferença, no sufoco. Mas, até mesmo para surpresa nossa, ganhamos as três e passamos para a segunda fase!!!

No jogo seguinte, que era eliminatório, poderíamos até empatar, mas o jogo era contra um adversário bem melhor. Fizemos nossa melhor partida, mas em uma bobeira de um dos nossos na saída de bola, acabamos deixando o adversário fazer 1 a 0. Corremos atrás, demos pressão, mas não conseguimos reverter o resultado. Tudo bem, a missão já estava cumprida, mas ficou aquela sensação chata de que, se não fosse um descuido, poderíamos ter nos classificado.

Neste domingo, eu estava assistindo ao jogo do Real Madrid na tevê. O time mais badalado do mundo não jogou nada e perdeu em casa, tomando um olé. Lá pelo segundo tempo, um dos zagueiros do Real Madrid, que ganha dezenas de milhares de euros por mês, tentou sair jogando a dribles e perdeu a bola, dando um contra-ataque que quase resultou em mais um gol do adversário. Exatamente igual à jogada que nos tirou do campeonato. Depois, um dos atacantes do Real dominou a bola dentro da área, pronto para fazer o gol de empate, e deu um balão, longe, muito longe do gol.

Nessas horas eu penso: como é que um profissional de alto gabarito pode cometer os mesmos erros que nós, peladeiros, não perdoamos em nossos jogos?!? Ao mesmo tempo percebo que, puxa, se um profissional faz esse tipo de coisa, por que nós, reles atletas de final de semana, temos que ficar nos cobrando quando isso acontece?

A minha conclusão disso tudo é que a grande diferença entre boa parte dos profissionais e nós, jogadores de pelada, é o preparo físico. Na verdade, no fundo, a maioria deles é tão (ou mais) pereba do que nós!